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[GnomoSeries][06-09-2014] The Multiversity || Não apenas uma história em quadrinhos

Diretamente do blog Gnomo Séries,  para fins de arquivo.

Em 1972, a Doubleday publicou uma obra do escritor de ficção científica Philip José Farmer. O livro foi chamado Tarzan Alive: A Definitive Biography de Lorde Greystoke e explodiu cabeças. A premissa do livro era que o famoso conto do nobre senhor das selvas de Edgar Rice Burroughs foi baseado em uma pessoa real. O trabalho de Farmer foi uma análise cuidadosa de todos os livros de Tarzan, com o suposto objetivo de diferenciar a realidade da fantasia.

Como trabalho acadêmico que pretendia ser, o livro de Farmer continha, em forma de anexos, provas documentais para dar suporte às proposições centrais do autor. As primeiras páginas do livro publicado trazem uma planilha que remonta a árvore genealógica de Tarzan que, não só foi um personagem real, como também estava relacionado com outros personagens famosos “fictícios”: Sherlock Holmes, Professor Challenger, Doc Savage, Nero Wolfe. Eles eram todos parte dessa ilustre família. Eram todos reais.

Nas páginas da revista Flash #123, lá de 1961, o Flash da Era de Prata Barry Allen acidentalmente viajou para a Terra 2 e conheceu o Flash da Era de Ouro, Jay Garrick. Quando os dois Flash(es) se conheceram, na história clássica de Gardner Fox e Carmine Infantino, Barry Allen explicou que sabia tudo sobre a carreira de Jay Garrick como o Flash. Ele sabia sobre a origem de seus poderes e sobre sua identidade secreta. Barry explicou para Jay: “Você era bem conhecido no meu mundo, como um personagem fictício que aparece em uma revista chamada Flash Comics! Quando eu era jovem, você foi meu herói favorito! Um escritor chamado Gardner Fox escreveu sobre suas aventuras, que, segundo ele, veio a ele em sonhos!”. Os heróis de Barry também eram reais.

E assim nasceu o Multiverso DC. Dois mundos, Terra Um e Terra Duas, pouco tempo depois se tornaram várias. Novos heróis, novos mundos, ideias infinitas. História de vários mundos, onde a ficção é realidade, e histórias em quadrinhos são verdadeiras. Contos onde há várias camadas de vida, e mundos estão sobre mundos. Como pode o multiverso manter esta quantidade de fatos?

E então vieram as crises. E se o pessoal da DC Comics é bom em alguma coisa, é colocar para rolar uma crise arrasa-dimensões impressionante. Mas não parece um pouco estranho que o mesmo planeta Terra esteja sempre no meio delas? Se o Universo DC realmente está passando por eventos cósmicos a cada ano, não seria razoável supor que conflitos de grandes escalas também estejam sendo frustrados em lugares onde Superman, Batman, Mulher-Maravilha e toda a trupe da famosa Liga da Justiça nunca vão descobrir?

Essa é a premissa básica de “The Multiversity” (livremente traduzindo aqui como “A Multiversidade”), o mais recente projeto de mega-crise escrito por Grant Morrison que começou a ser publicado em Agosto desse ano. Em vez de opor a Liga da Justiça de Novos 52 contra mais um desastre de abalar o(s) universo(s) (já que eles têm seus próprios problemas para resolver), “Multiversity” gira em torno de um grupo heterogêneo de heróis de Terras paralelas que enfrentam coisas que os heróis da Terra Um (a principal realidade do Universo DC) nem imaginam que possam existir. É uma grande oportunidade para mapear corretamente os 52 universos raramente explorados, conhecer personagens obscuros da vasta galeria da DC, e até mesmo dar umas boas cutucadas na concorrência ao fazer referências e analogias a personagens e situações icônicas de publicações de editoras como Marvel, Image, Charlton e tantas outras.

Também existem algumas similaridades com a série Sete Soldados da Vitória, relançamento de 2006 baseado em publicações originais de 1941. Cada capítulo vai contar uma história independente em um universo paralelo, construindo cenas interligadas que descrevem uma ameaça maior. Mas diferentemente de Sete Soldados, cada edição será definida em uma dimensão paralela diferente, com foco em diferentes aspectos e gêneros históricos da DC através do ponto de vista de artistas variados. É uma ótima maneira de atrair leitores, que podem começar a ler série a partir de qualquer número, enquanto ainda premia aqueles que seguem “Multiversity” desde a primeira edição com grandes plots e muitas referências.

Tendo isso em mente, o que acontece em The Multiversity #1? Nix Uotan, o último dos monitores, viaja para a Terra 7 apenas para descobrir que lá ocorreu um evento apocalíptico. Seres demoníacos capazes de viajar entre as dimensões e corromper as almas de heróis devastaram o planeta, forçando Uotan a trocar de lugar com Thunderer (“Trovejante” em tradução livre), o último campeão da Terra 7, para salvar sua vida. Em resposta, Trovejante ativa uma máquina capaz de convocar heróis de todos os 52 universos, formando uma liga interdimensional que talvez (e apenas talvez) possa salvar o dia.

Contra as forças do mal está uma mistura bizarra de heróis, liderados pelo presidente Superman da Terra 23 (obviamente inspirado no popular Barack Obama), um personagem que lembra mais o antigo Superman do que o atual, o Superman de antes das Crises, antes de Flashpoint, antes do Novos 52. Ao seu lado, o cartunesco Capitão Cenoura (o Coelhinho da Páscoa mascarado) e um mix diversificado de heróis estranhamente familiares, e outros nem tanto.

Se você gosta de caçar referências obscuras através de cada painel, essa publicação é para você. Existem mensagens para nós, palavras de outros mundos que falam para mim e para você, enquanto leitores. Vale lembrar que, no contexto da história, tudo é real.

Tarzan está vivo. Barry Allen, também.

 

 Por Vinícius Moizinho

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[GnomoSeries][16-08-2014] Disney comprando a Warner? Crossover definitivo Marvel/DC pode acontecer

Diretamente do blog Gnomo Séries,  para fins de arquivo.

Não sei se todos ouviram falar, mas o não-apenas-proprietário-mas-também-CEO da Fox Rupert Murdoch tentou comprar a Time Warner a algum tempo atrás pela simples bagatela de 80 bilhões de dólares. Não, não estamos falando apenas do estúdio Warner, mas sim todo o grupo Warner, incluindo cinema, canais de TV (CNN, HBO, CW, etc), estúdios de games, produtoras musicais e, claro, a DC Entertainment.

Como era de se esperar, imediatamente a internet enlouqueceu com a possibilidade da existência de futuros crossovers entre superequipes cinematográficas como os mutantes da franquia já consolidada X-Men, o renovado Quarteto Fantástico e a ainda especulada mas talvez à caminho Liga da Justiça. 

Maaaas a oferta de compra foi prontamente recusada, e a história tomou novos rumos. Eis que, nessa semana, o diário The Hollywood Reporter trouxe a informação de que há novos compradores demonstrando interesse no grupo Time Warner, entre eles Google, Apple, o homem mais rico da China Wang Jianlin e… a Disney. Sim, a Walt Disney. A mesma Disney que comprou a Pixar, a Marvel e mais recentemente a Lucasfilm. Essa mesma.

De acordo com a publicação, a Disney não tem apenas vantagem sobre o montante de recursos disponíveis para investimento em relação à oferta original da Fox, como também possui faturamento global anual muito superior ao da concorrência. Some a isso o fato da  Disney hoje não possuir uma forte rede de notícias e não ter a mesma relevância televisiva da Warner, fazendo desta uma excelente aquisição estratégica.

 

Claro que tudo isso ainda não passa de especulação, mas como diz Paul Bond em seu texto, “a ideia de ter reunidos em um só lugar os personagens da Marvel e da DC Comics é muito atraente para ser ignorada”. Apesar da sempre saudável concorrência mercadológica praticamente deixar de existir nessa situação, abre-se a possibilidade de um dia vermos a Liga da Justiça e os Vingadores juntos no cinema, acompanhados das enxurradas de dinheiro que isso geraria para o possivelmente-próximo-império-global Disney. Ou seja, mensalmente, os personagens de quadrinhos de ambas as editoras compartilhariam o mesmo universo. Sensacional, não?

Acho que só assim para termos certeza que um dia veremos mesmo um filme da Liga da Justiça. 😉

Por Vinícius Moizinho

[GnomoSeries][09-08-2014] Mais Howard the Duck em Outubro

 Diretamente do blog Gnomo Séries,  para fins de arquivo.

Vocês, prezados leitores, já assistiram ao divertidíssimo filme “Guardiões da Galáxia” da toda-poderosa Marvel? Se ainda não, parem o que estão fazendo nesse momento e corram para o cinema mais próximo pois ainda há tempo e o parágrafo abaixo vai conter spoiler. Dica: não deixem a sessão antes do final dos créditos.

SPOILER

Aos que já assistiram: vocês não acharam que a participação especial do sarcástico e mau humorado Howard, O Pato não teria repercussão no mercado de quadrinhos, achou?

Pois bem. A Marvel anunciou essa semana que vai rolar a publicação de um encadernado do personagem em formato omnibus, contando com as 22 edições da série original Howard, o Pato e uma coletânea das aparições dele em edições como Adventures Into Fear #19, Man-Thing #1, Giant-Size Man-Thing #4 e #5, Marvel Treasury Edition #12 e Marvel Team-Up #96.

Howard, O Pato foi criado pelo escritor Steve Gerber e pelo artista Val Mayerik em 1973. O personagem, motivo de uma longa disputa judicial entre os autores e a Marvel Comics, sempre foi visto como uma espécie de “versão adulta” do Pato Donald da Disney, e a principal característica das suas histórias são as críticas à sociedade norte-americana dos anos 70. O escritor usava situações cômicas pra falar indiretamente sobre religião, política e afins, no estilo que Os Simpsons e South Park fazem atualmente.

Quem identificou o personagem de primeira ao vê-lo nas telonas provavelmente vai lembrar que Howard já havia debutado no cinema como uma versão bizarra de sua contraparte dos quadrinhos em 1986, no filme “Howard, O Super-Herói“, repetido à exaustão na saudosa Sessão da Tarde ao longo dos anos 90.

Apesar do salgado preço sugerido de 99 dólares, a publicação certamente vai valer ao menos a conferida.

Por Vinícius Moizinho

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